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‘EQUILIBRIVM’: Anitta resgata raízes afro-brasileiras em novo álbum 

O disco fala sobre fé, amor e espiritualidade

‘EQUILIBRIVM’: Anitta resgata raízes afro-brasileiras em novo álbum 
Anitta no clipe de Desgraça – Foto: Divulgação

Dois anos após o “Funk Generation”, primeiro álbum de funk indicado ao Grammy na história da premiação, Anitta lançou na última quinta-feira (16), o “EQUILIBRIVM”, seu oitavo disco de estúdio. Dessa vez, a cantora se reinventa na forma de enaltecer as suas raízes, trocando o paredão e sons urbanos do último projeto para influências de religiões africanas e instrumentos típicos da música brasileira. 

A mudança no repertório musical e nas referências de Anitta para o “EQUILIBRIVM” tem tudo a ver com o atual momento de sua vida pessoal. No último ano, a carioca voltou a morar e passar a maior parte do tempo em sua casa no Rio de Janeiro, onde serviu também de estúdio para as gravações das faixas de seu novo projeto.

O disco começa potente com a faixa solo “Desgraça”, em que Anitta incorpora a força e a energia da Pombagira, entidade espiritual da Umbanda e do Candomblé, para cantar sobre a liberdade do sexo  feminino — exatamente o que a Pombagira representa. O início da música traz um filtro sonoro antigo, estilo anos 40, aos vocais da artista, fazendo alusão à Carmen Miranda, além de mencionar na letra os agrados feitos aos Exus, como em versos que mencionam as “sete saias” e as “sete encruzilhadas”.

“Desgraça” também ganhou um clipe gravado à noite com claras referências ao Candomblé, com elementos e símbolos presentes em rituais da religião, como galinhas, velas e búzios.  A música abre bem o disco e dá um spoiler de tudo o que está por vir ao longo das quinze faixas. 

Em seguida, Anitta dá continuidade ao “EQUILIBRIVM” em uma sequência de participações brasileiras que enriquecem o projeto. Liniker em “Caminhador”, Luedji Luna em “Bemba”, Melly em “Ternura” e Marina Sena em “Mandinga” mostram a força de artistas da música popular brasileira atual e a versatilidade de Anitta em faixas que combinam tanto com ela quanto com os feats.  

Em “Mandinga”, a carioca se junta à mineira e juntas quebram a mandinga do “Canto de Ossanha”, que simboliza as armadilhas de um amor, e se libertam desse feitiço. A música possui sample de “Canto de Ossanha”, de Baden Powell e Vinícius de Moraes. Já em “Caminhador”, Anitta e Liniker cantam sobre fé, persistência e sobre acreditar em si mesmas.

“Bemba”, parceria com a cantora baiana Luedji Luna, é um reverendo à cultura da Bahia — o que justifica a escolha da colaboração com Luna. A faixa se inicia com sons de atabaques e citações a comidas baianas típicas em um ritmo envolvente e dançante. Em ternura, a doçura de Oxum, orixá das águas doces, é reverenciada por Anitta e Melly em uma música leve, descrita pela dona do álbum como “a água cantando pra gente”.  

Na sequência do disco, Anitta fala sobre seu conceito de Deus em “Deus Existe”, parceria com a banda de reggae Ponto de Equilíbrio. Para ela, Deus está presente nas pequenas coisas do dia a dia, como estar com a família e ver a natureza. A faixa parece ser um desabafo da carioca sobre a sua reconexão com a família e com carreira voltada para o mercado brasileiro, como evidenciado no trecho que abre a canção: “Eu vi pote de ouro, não vi arco-íris, gastei meu tempo sem admirar”. A música resume bem todo o conceito do “EQUILIBRIVM” e apresenta para o público uma nova versão da Anitta: dessa vez, no reggae. 

“Caso de Amor”, com o grupo Os Garotin, “Várias Quejas”, que contém sample de “Várias Queixas” do Olodum, “So Much Love” e “Pinterest” na versão em espanhol marcam a parte romântica e mais morna do álbum. Apesar disso, a artista não deixa de inovar e sai da zona de conforto com um blues/R&B no feat com Os Garotin, além de dar uma nova roupagem ousada para “Várias Queixas” — que já possui versão aclamada na voz dos Gilsons.

Anitta apresentando Várias Quejas no programa Saturday Night Live (SNL)

As próximas quatro músicas do álbum dão sequência ao momento mais pop/funk do “EQUILIBRIVUM” e, consequentemente, ao mais comercial. “Nanã” é um funk potente sobre a força de Nanã, orixá que simboliza a criação do ser humano.

O rap de Rincon Sapiência e KING Saints dão ainda mais ritmo à música que enaltece “a energia feminina que cria o ser humano”. “Vai Dar Caô”, com a rapper Ebony, dá um gostinho para quem estava com saudade dos funks com batidas mais cruas do “Funk Generation”. Na faixa, Anitta, que está acostumada a cantar nos mais variados ritmos, se junta ao flow de Ebony e arrisca em versos cantados em rap. 

O feat com a Shakira em “Choka Choka” e a produção de Los Brasileiros em “Meia Noite” marcam o ápice do álbum, não à toa a primeira é considerada pela própria artista como a melhor do disco e a segunda ganhou favoritismo imediato dos fãs. Ambas se apresentam de forma muito potente dentro do projeto, tanto na letra quanto no instrumental. Enquanto “Choka Choka” é uma homenagem às caboclas, “Meia Noite” é um manifesto à potência de Pomba Gira nas ruas noturnas. 

O disco é finalizado com “Ouro”, uma espécie de mantra ou meditação guiada em que Anitta reflete sobre o conceito de “equilíbrio” e propõe uma desaceleração para quem está ouvindo. Do meio para o final da faixa, as falas motivacionais da artista se transformam na frase “Estou buscando algo que vale mais que ouro” repetida algumas vezes, em uma espécie de refrão cantado, que fazem valer a pena os 5 minutos de duração e que sintetizam bem tudo o que o “EQUILIBIVM” significa na vida pessoal e o profissional da cantora. 

O álbum estreou com 8.2 milhões de streams no Spotify, com 9 das 15 músicas no TOP 50 da parada no Brasil. Anitta revelou também que o trabalho será dividido em quatro capítulos, sendo eles Despacho, Fé e Festa, Deus Mãe e Renascimento. 

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