A primeira edição do Festival Literário do Orgulho e Resistência (FLOR) acontece neste fim de semana no Rio de Janeiro com a proposta de transformar a literatura em espaço de encontro, troca e representatividade. O evento será realizado nos dias 23 e 24 de maio, no Parque Glória Maria, em Santa Teresa, reunindo autores, editoras e leitores em uma programação gratuita voltada para a literatura LGBTQIAP+.
Entre as atividades confirmadas estão oficinas de escrita criativa, mesas temáticas, rodas de conversa, sessões de autógrafos e momentos de expressão artística abertos ao público. O evento também contará com um sarau com inscrições presenciais realizadas no próprio local, além de ações voltadas ao incentivo à leitura e à circulação de obras da comunidade.
Durante os dois dias de programação, o festival distribuirá 100 livros LGBTQIAP+ por dia, entregues por ordem de chegada. Como a programação começa às 10h, a orientação é que o público chegue cedo para participar da ação.
O que é o FLOR
Mais do que um evento literário, o FLOR nasceu de uma percepção compartilhada pelos próprios organizadores: embora a presença de autores e leitores LGBTQIAP+ tenha crescido nos últimos anos, muitos espaços culturais ainda oferecem pouca visibilidade para essas narrativas ou acabam tratando essas produções como algo restrito a nichos específicos.
Entre os idealizadores do FLOR está Alan Silva, professor, produtor cultural e integrante do Cadê LGBT, projeto que surgiu para aproximar o público de livros e narrativas LGBTQIAP+. A iniciativa começou nas redes sociais focada na divulgação de autores independentes e cresceu com a proposta de ampliar a visibilidade dessas histórias. Para Alan, o festival também nasce desse movimento de criar espaços onde essas produções não fiquem à margem.
“O FLOR nasce do inquietamento de não sermos vistos em muitos eventos literários. Ter um festival totalmente queer era mais que necessário: era urgente.”
Essa proposta também se refletiu no processo de criação do próprio nome do festival. Entre diferentes sugestões discutidas pela equipe, FLOR acabou sintetizando o que os organizadores buscavam construir.
“Encontramos o equilíbrio perfeito entre a delicadeza da nossa celebração e a urgência da nossa luta.”
Muito além das mesas literárias
Embora os livros sejam o centro da programação, a proposta do evento vai além da estrutura tradicional de lançamentos e debates. A ideia é criar um ambiente de troca entre leitores, autores e profissionais do mercado editorial, aproximando pessoas que muitas vezes encontram dificuldade para acessar espaços de circulação, contato e visibilidade.
Essa preocupação também aparece em iniciativas de acessibilidade presentes no festival. O FLOR disponibilizará abafadores de ruído para pessoas autistas, que poderão ser reservados antecipadamente e retirados com a equipe durante os dias do evento.
A organização do FLOR também conta com Thati Machado, escritora, produtora cultural e criadora do Se Liga, projeto editorial lançado em 2018 e voltado para obras sobre diversidade e representatividade. A iniciativa reúne livros que abordam diferentes pautas de inclusão, além de incentivar e abrir espaço para novos autores dentro do cenário literário.
Segundo Thati, o objetivo é fazer com que o FLOR funcione não apenas como uma programação cultural, mas também como um espaço de conexão entre pessoas.
“A ideia é que o evento seja mais do que uma vitrine, mas um ponto de encontro.”
Para ela, a experiência proposta pelo festival passa também por algo que ainda aparece pouco em muitos espaços culturais.
“O público vai encontrar algo que ainda é raro em muitos eventos literários: pertencimento.”
O impacto de espaços voltados à literatura LGBTQIAP+
Além da experiência do público, iniciativas como o FLOR também têm impacto direto para autores independentes e para a circulação dessas obras. Para quem publica fora dos grandes circuitos editoriais, os desafios muitas vezes vão além da divulgação e passam pela própria dificuldade de construir redes e encontrar espaços de troca.
O escritor Victor Viana, autor independente carioca e criador do perfil literário Literavitu, destaca que eventos como esse ajudam a aproximar leitores, autores e editoras em um cenário que ainda possui barreiras para produções independentes.
Segundo ele, a possibilidade de apresentar histórias em espaços onde essas narrativas já são entendidas e acolhidas transforma a experiência de quem escreve.
“É muito diferente lançar histórias em um espaço onde elas não precisam ser explicadas ou justificadas para existir.”
Para Victor, iniciativas como essa também ajudam a deslocar essas obras para um lugar mais central dentro da produção cultural.
“Quando surgem eventos assim, nossas narrativas deixam de ocupar apenas as margens e passam a ser tratadas como parte essencial da produção literária contemporânea.”
Serviço
📍 Festival Literário do Orgulho e Resistência (FLOR)
📅 23 e 24 de maio
🕒 10h às 17h
📌 Parque Glória Maria – Santa Teresa (RJ)
🎟️ Entrada gratuita
Programação completa e mais informações: @cadelgbt no instagram











