Um take de Ebony no palco ganhou repercussão nas redes ao questionar a entrega de rappers masculinos em shows. A discussão que surgiu a partir daí vai além da crítica e ajuda a evidenciar um movimento já em curso, com artistas mulheres expandindo o rap em diferentes frentes.
Criatividade e inovação nas composições
Enquanto o debate sobre performance ganha força, artistas mulheres vêm redesenhando o rap com trabalhos ricos em referências com novas narrativas e sonoridades.
Um exemplo desse movimento é Nina do Porte, que levou o futebol para o seu som no seu último álbum O Jogo Virou, “É muito para mostrar que mulher entende sobre futebol”, explicou.

Foto: Divulgação /Redes sociais
O álbum Sexto Sentido, de MC Luanna, aposta em uma abordagem mais introspectiva ao tratar de identidade e vivências de mulheres negras. “Eu falo muito também sobre relacionamento, abordando as questões negativas de algumas relações e meninas se apegam muito.”
Artistas ampliam atuação e conquistam espaços fora da música
Essa expansão também atravessa outras áreas. Cada vez mais, artistas transformam seus discursos em projetos que vão além da música.
Na literatura, Duquesa assinou o prefácio de um livro de Monique Evelle e levou para o texto uma reflexão alinhada à sua trajetória artística. Em um trecho do prefácio, a artista destaca:
“Para além de números, resultados e entregas, para além da máquina de produtividade que o capitalismo insiste que sejamos, nosso poder maior é conseguir sentir”.
Enquanto na moda, Tasha & Tracie lançaram no último ano uma coleção com a Kenner, conectando consumo, identidade e representatividade com o público.

Foto: Divulgação
Da representatividade à ação
As rappers também vem contribuindo politicamente por meio de projetos e ações sociais. A própria Ebony esteve no Palácio do Planalto durante a assinatura do Pacto Nacional contra o feminicídio e afirmou que o enfrentamento à violência passa pela forma como meninos são educados desde a infância e defendeu que o hip-hop acompanhe esse processo de transformação social, ajudando a construir relações menos agressivas no futuro.
Já a rapper Júllia Costa lançou a ONG Nós Mães de Família, voltada ao apoio de mães solo em situação de vulnerabilidade. A primeira ação aconteceu no fim do mês passado, com um bazar solidário em São Paulo. A ação reuniu peças doadas por diferentes artistas, entre eles Karol Conká, Bella Campos e Carol Delgado. A arrecadação será destinada à estruturação e manutenção da sede do projeto.No Dia das Mães, a iniciativa promoveu um novo encontro marcado por acolhimento, escuta e troca, com a distribuição de cestas básicas, agasalhos e preservativos para mães solo. A ação também contou com a presença de Monique, do EJA, que irá oferecer bolsas de estudo às participantes, além de funcionar como uma etapa de aproximação e entendimento das necessidades dessas mulheres para orientar os próximos passos do projeto.
Vídeo: Reprodução/ Redes socias
Com o objetivo de expandir as atividades e alcançar mais famílias, o projeto também mantém uma vaquinha online para arrecadar recursos. As contribuições podem ser feitas pelo link: www.vakinha.com.br/vaquinha/nos-maes-de-familia











