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Rap feminino vai além da música, critica padrões e ocupa novos espaços dentro e fora dos palcos 

De discussões sobre performance a projetos sociais, artistas redesenham o alcance do gênero 

Um take de Ebony no palco ganhou repercussão nas redes ao questionar a entrega de rappers masculinos em shows. A discussão que surgiu a partir daí vai além da crítica e ajuda a evidenciar um movimento já em curso, com artistas mulheres expandindo o rap em diferentes frentes.

@trapbrgrafias

Durante a turnê do seu novo álbum “KM2 De Luxo”, Ebony criticou rappers da cena em relação à qualidade e à entrega de seus shows, comentando que recentemente foi assistir ao de um artista e se decepcionou 🥶🗣️ #ebony #rap

♬ som original – trapbrgrafias

Criatividade e inovação nas composições

Enquanto o debate sobre performance ganha força, artistas mulheres vêm redesenhando o rap com trabalhos ricos em referências com novas narrativas e sonoridades. 

Um exemplo desse movimento é Nina do Porte, que levou o futebol para o seu som no seu último álbum O Jogo Virou, “É muito para mostrar que mulher entende sobre futebol”, explicou. 

 Foto: Divulgação /Redes sociais

O álbum Sexto Sentido, de MC Luanna, aposta em uma abordagem mais introspectiva ao tratar de identidade e vivências de mulheres negras. “Eu falo muito também sobre relacionamento, abordando as questões negativas de algumas relações e meninas se apegam muito.” 

Artistas ampliam atuação e conquistam espaços fora da música 

Essa expansão também atravessa outras áreas. Cada vez mais, artistas transformam seus discursos em projetos que vão além da música.

Na literatura, Duquesa assinou o prefácio de um livro de Monique Evelle e levou para o texto uma reflexão alinhada à sua trajetória artística. Em um trecho do prefácio, a artista destaca:

“Para além de números, resultados e entregas, para além da máquina de produtividade que o capitalismo insiste que sejamos, nosso poder maior é conseguir sentir”. 

Enquanto na moda, Tasha & Tracie lançaram no último ano uma coleção com a Kenner, conectando consumo, identidade e representatividade com o público.

 Foto: Divulgação

Da representatividade à ação 

As rappers também vem contribuindo politicamente por meio de projetos e ações sociais. A própria Ebony esteve no Palácio do Planalto durante a assinatura do Pacto Nacional contra o feminicídio e afirmou que o enfrentamento à violência passa pela forma como meninos são educados desde a infância e defendeu que o hip-hop acompanhe esse processo de transformação social, ajudando a construir relações menos agressivas no futuro.

Já a rapper Júllia Costa lançou a ONG Nós Mães de Família, voltada ao apoio de mães solo em situação de vulnerabilidade. A primeira ação aconteceu no fim do mês passado, com um bazar solidário em São Paulo. A ação reuniu peças doadas por diferentes artistas, entre eles Karol Conká, Bella Campos e Carol Delgado. A arrecadação será destinada à estruturação e manutenção da sede do projeto.No Dia das Mães, a iniciativa promoveu um novo encontro marcado por acolhimento, escuta e troca, com a distribuição de cestas básicas, agasalhos e preservativos para mães solo. A ação também contou com a presença de Monique, do EJA, que irá oferecer bolsas de estudo às participantes, além de funcionar como uma etapa de aproximação e entendimento das necessidades dessas mulheres para orientar os próximos passos do projeto.

Vídeo: Reprodução/ Redes socias

Com o objetivo de expandir as atividades e alcançar mais famílias, o projeto também mantém uma vaquinha online para arrecadar recursos. As contribuições podem ser feitas pelo link: www.vakinha.com.br/vaquinha/nos-maes-de-familia

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